6 de fev de 2013

[livros em série] A filosofia por trás do Jogos Vorazes


A história de um reality show em que adolescentes são forçados a matar uns aos outros parece transmitir uma mensagem de violência para o público da faixa etária dos jogadores. No entanto, a série Jogos Vorazes, escrita pela americana Suzanne Collins, se propõe ser um alerta para o que pode ocorrer com o mundo caso as pessoas não cuidem dele — na saga, a injusta nação Panem é formada pelo que restou da América do Norte, vítima de uma série de catástrofes naturais. É o que diz a escritora americana Lois H. Gresh, autora do guia Hunger Games – A Filosofia por Trás dos Jogos Vorazes (Lua de Papel, 39,90 reais), para quem a trilogia é uma crítica ao mundo atual. “A saga é uma reflexão, um espelho dos nossos tempos. Ela é um aviso de que nós precisamos nos unir e nos salvar de um futuro que pode ser parecido com o de Jogos Vorazes.”

Menos romântica e fantasiosa, se comparada com os sucessos adolescentes que a precederam — Crepúsculo e Harry Potter –, a série traz, segundo Lois, uma mensagem educativa. Essa mensagem é transmitida principalmente pela heroína, Katniss Eveerden, uma menina de 16 anos que encarna a bondade, a coragem, a responsabilidade e o amor pela natureza. A trilogia foi transformada em filme e está em cartaz nos cinemas com a atriz Jennifer Lawrence no papel de Katniss.

Leia abaixo a entrevista com Lois H. Gresh, autora do guia.

Jogos Vorazes tem violência, mitologia e uma atmosfera obscura, e deixa o romance entre os protagonistas em segundo plano, diferentemente de séries como Crepúsculo. Ainda assim, a saga é um sucesso entre os adolescentes. Por quê? A trilogia é uma reflexão, um espelho dos nossos tempos. Em minha opinião, ela é um aviso de que nós, como espécie inteligente, precisamos nos unir e nos salvar de um futuro que, ainda que remotamente, pode ser parecido com o de Jogos Vorazes. Fome generalizada, crianças enviadas para o matadouro da guerra, colapsos ambientais, atos terroristas e guerra nuclear não são coisas certas. Posicionando-se contra esses temas, Suzanne Collins nos traz uma história linda. Como leitores, nós nos importamos com os personagens e queremos desesperadamente que tudo acabe bem. Essa é a razão que faz com que os adolescentes gostem da série, mesmo que o romance não seja o foco principal.

O que faz essa história ser adorada como as histórias fantásticas? Essa série cria um novo mundo de aventura, tragédia, invenções e, claro, um triângulo amoroso. Ela traz drásticas narrativas paralelas e também


Lois H. Gresh, autora do guia
ensina aos leitores uma lição importante sobre a vida e a natureza humana. Ela foca em como os humanos reagem a situações de vida e morte, quão materialista a sociedade humana se tornou e o que realmente significa se apaixonar por alguém e testar se você estaria disposto a morrer por essa pessoa.

Você também já escreveu um almanaque sobre Crepúsculo. Qual sua opinião sobre a profundidade de cada história? A principal diferença entre as duas histórias é o ponto de aproximação entre realidade e ficção. Crepúsculo trata de uma crença antiga — a dos vampiros — que é discutida até hoje. Para pessoas que não acreditam em vampiros e lobisomens, a saga de Stephenie Meyer é só entretenimento. Por outro lado, Jogos Vorazes é uma grande crítica ao mundo atual em forma de ficção.

Por que personagens como Katniss Eveerden inspiram as pessoas? Katniss é um modelo para pessoas de todas as idades, principalmente para meninas. Seu papel as influencia de forma positiva. Eu admiro a naturalidade dela para cuidar da família. Quantas meninas de 16 anos podem dizer que têm toda essa responsabilidade? Seu amor pela natureza é fascinante.

Os monstros de Jogos Vorazes são os próprios seres humanos. Por outro lado, os monstros de séries como Crepúsculo e Harry Potter são vampiros, lobisomens e bruxas. Esse aspecto é bastante aceitável no mundo real, mas é um pouco cruel para um livro voltado para adolescentes. Os livros de Suzanne Collins foram preenchidos com mensagens importantes. As pessoas devem focar no que importa — bondade, paz, saúde, comida para todos — e não na aparência delas ou no que significam para as outras pessoas. É mais importante seguir em frente – literalmente sobreviver nos Jogos Vorazes – apunhalando as pessoas pelas costas ou tem mais sentido seguir em frente usando suas habilidades e inteligência e tentando ajudar as pessoas à sua volta? É por isso que eu acho que, sim, Jogos Vorazes procura ser educacional.

Fonte: Revista Veja

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