4 de jul de 2012

Clássico O Pequeno Príncipe resiste entre os mais vendidos


Não são vampiros que brilham no sol, nem bruxinho órfão, tampouco adolescentes com poderes divinos ou lutando contra um estado totalitário num futuro distópico.
Resistindo a todo tipo de modismo, o grande hit da literatura infanto-juvenil é um gurizinho loiro, algo melancólico, que adora viajar e divide o asteroide onde mora com uma rosa temperamental. Seu nome real permanece um mistério, mas por aqui ele ganhou um apelido que o tornou célebre no mundo todo: O Pequeno Príncipe.
Escrito e publicado em 1943, durante o exílio norte-americano do piloto francês Antoine De Saint-Exupéry, a história do aviador que encontra uma misteriosa criança durante uma pane no deserto do Saara não sai das listas de mais vendidos. No Brasil, onde é impresso desde 1952 pelo selo Agir, do grupo editorial Ediouro, está na 48ª edição, já vendeu mais de quatro milhões de cópias e está sempre entre os 10 primeiros de sua categoria. Em 2011, fechou na oitava posição no ranking geral.
O fenômeno cresce quando se considera que O Pequeno Príncipe não está atrelado a nenhum derivado, como filmes e gibis, e não é amparado por nenhuma campanha ostensiva de marketing. Sua edição mais vendida, inclusive, permanece inalterada, incluindo a capa e as famosas aquarelas de autoria de Saint-Exupéry. Foi somente no mês passado que a franquia ganhou algum tipo de renovação, com o lançamento, via editora Leya, dos primeiros livros de uma coleção inspirada no desenho animado que é sucesso no canal a cabo Discovery Kids.
- É um caso de livro que se vende sozinho, já está no imaginário das pessoas. Se você vai abrir uma livraria, não pode deixar faltar O Pequeno Príncipe. E uma das razões é o seu conteúdo, que fala com qualquer tipo de público - analisa Carlo Carrenho, consultor editorial e fundador do site de referência Publishnews.
Para o psicanalista e escritor Celso Gutfreind, a maneira como Saint-Exupéry trata a busca por nós mesmos - um dos pilares mais significativos do livro - é parte do segredo da universalidade do livro e segredo da longevidade do monarca do asteroide B-612.
- No fundo, trata do resgate de quem se é, na procura da alma em um mundo inóspito por fora e por dentro. Precisamos falar disso. Precisamos falar de nós. E, na forma, o autor o faz sempre com imagens instigantes, como a de um geógrafo que escreve livros, mas não vai a campo, ou sobre homens perdidos, beberrões, sovinas, incapazes de se vincular, além da presença de sugestivas serpentes e raposas. Tudo o que interessa está ali - aponta Gutfreind.
Carrenho salienta ainda que, diferentemente de sucessos contemporâneos, O Pequeno Príncipe não foi escrito com a intenção de ser um sucesso de vendas - portanto, não tem condições de competir de igual para igual com as séries Crepúsculo e Jogos Vorazes, por exemplo. Mas por não estar vinculado a nenhum tendência, está sempre na lembrança dos leitores.
- É a história da lebre e da tartaruga. E a gente sabe quem ganha no final - brinca.
NÚMEROS DO FENÔMENO POP
500 milhões de leitores em todo o mundo
150 milhões de cópias vendidas
Traduzido para mais de 260 idiomas
600 mil livros de pop-up vendidos
500 mil unidades da graphic novel vendidas
Reuniu 25 mil expectadores durante uma exibição de som e luz no distrito de La Défense, em Paris, em 2011
150 mil visitantes por mês no site oficial, que tem tradução para cinco idiomas incluindo em português.
Mais de 5 milhões de fãs no Facebook
Fonte: Zero Hora

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