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25 de jan. de 2013

[resenha] A culpa é das estrelas


Dados técnicos:

Título: A culpa é das estrelas
Autor: John Green
Tradução: Renata Pettengill
Editora: Intrínseca 
Ano: 2012

Sinopse: Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.



"Alguns infinitos são maiores que os outros"

Uma história singela, tocante, capaz de nos envolver e nos fazer pensar na vida. Sim. John Green conseguiu algo inusitado com este livro: descrever o que é ter uma doença grave, como é viver sabendo que o seu tempo na Terra é curto e como isso modifica a vida de todos parentes e amigos, sem ser cansativo e, principalmente, mostrando que por trás da doença, existem pessoas que amam, se preocupam com os outros e, acima de tudo, não querem ser lembradas por uma falha do organismo e sim pelo que representaram durante todo o tempo em que estiveram vivas.

Talvez, por já ter vivido esta história bem de perto, o livro tenha me comovido tanto. Minha mãe teve câncer quando eu tinha 8 anos e foi muito estranho ver/ler tantos livros de auto-ajuda que ela ganhou, desde como enfrentar a doença até experiências de vida após a morte. Hoje, relembrando, minha mãe (que ainda tem muita história para contar) e eu rimos bastante desta época, ela superou a doença e é a prova que ter câncer não é ter um atestado de morte, ou um carimbo na testa com a palavra condenado.

Assim, quando li as primeiras páginas do livro pensei: é bem isso! Existe vida além da doença, existe história para contar, existe conflito e foi isso que encontrei nas 288 prazerosas páginas de A culpa é das estrelas. A história de Hazel e Gus, que poderia ser a história de milhares de adolescentes, se não fosse a forma diferenciada de olhar para os acontecimentos do cotidiano e para a sua própria condição.

Hazel é uma garota inteligente, possuidora de um sarcasmo apaixonante. Isso mesmo, a forma que a personagem relata a própria história é, sem dúvida, o ponto forte do livro. John Green deixa esta personalidade bem definida quando traz os pensamentos da garota em um grupo de apoio, por exemplo:

[…] Havia muita competição, com todo mundo querendo vencer não só o câncer, mas também as outras pessoas da roda. Tipo, eu sei que não faz o menor sentido, mas quando você ouve que tem, por exemplo, vinte por cento de chance de viver cinco anos, e faz as contas e conclui, como qualquer pessoa saudável faria: eu preciso durar mais que quatro destes desgraçados. (p.130)

E é por ironia do destino ou, para quem preferir, das estrelas, que neste grupo de apoio Hazel e Gus se conhecem e se gostam desde o primeiro momento. A partir daí, a doença é o plano de fundo apenas, a história está no romance que os dois irão viver, está na aventura de irem atrás do autor preferido de Hazel em Amsterdã, está no jeito despretensioso de Gus encontrar soluções para os problemas e da própria Hazel ajudá-lo a resolver os dele.

A narrativa e os diálogos criados pelo autor têm um ritmo muito bom, o que torna a história ainda mais atraente. As personagens possuem características únicas e bem exploradas, não são vazias ou mal estruturadas. Abaixo o que para mim retrata bem Gus e Hazel:

Gus a respeito do cigarro que insiste em colocar na boca:

[…] – Eles não matam se você não acender […] e eu nunca acendi nenhum. É uma metáfora. Tipo: você coloca a coisa que mata entre os dentes, mas não dá a ela o poder de completar o serviço. (p.26)

Hazel a respeito de sua preocupação com os que a rodeiam em um momento de fúria:

[…] – Eu sou uma granada – repeti. – Só quero ficar longe das pessoas, ler livros, pensar e ficar com vocês dois, porque não há nada que eu possa fazer para não ferir vocês; vocês estão envolvidos demais, por isso não me deixem fazer isso tá? Não estou deprimida. Não preciso sair mais. Eu não posso ser uma adolescente normal porque sou uma granada. (p.95)

Foi como uma granada que este livro invadiu os meus pensamentos. Me fez pensar no câncer de outra maneira, pois, na maioria das vezes, somos egoístas, não queremos ficar sem a pessoa de que gostamos, não queremos sofrer, não queremos que a vida nos mostre o quanto somos frágeis.


Como Em uma aflição imperial, livro predileto de Hazel, A culpa é das estrelas não é uma “história de câncer porque livros assim são um horror” (p.50). Na verdade, é um livro sobre o amor, sobre como alguns problemas são bem menores quando nos damos à chance de tentar resolvê-lo, nos damos à chance de tentar sem desistir no primeiro impasse.

Um livro inspirador que me proporcionou conhecer o autor John Green e sua escrita envolvente, capaz de me fazer pensar em sua história por dias a fio sem iniciar uma nova leitura.

Como prometido pelo o autor de A menina que roubava livros, Markus Zusak, eu ri, chorei e ainda quero/espero por mais. Sempre.

Conheça um pouco mais o autor do livro


15 de set. de 2012

[resenha] Percy Jackson e os Olimpianos - O Ladrão de Raios




Sinopse: Primeiro volume da saga Percy Jackson e os olimpianos, O ladrão de raios esteve entre os primeiros lugares na lista das séries mais vendidas do The New York Times. O autor conjuga lendas da mitologia grega com aventuras no século XXI. Nelas, os deuses do Olimpo continuam vivos, ainda se apaixonam por mortais e geram filhos metade deuses, metade humanos, como os heróis da Grécia antiga. Marcados pelo destino, eles dificilmente passam da adolescência. Poucos conseguem descobrir sua identidade.


O garoto-problema Percy Jackson é um deles. Tem experiências estranhas em que deuses e monstros mitológicos parecem saltar das páginas dos livros direto para a sua vida. Pior que isso: algumas dessas criaturas estão bastante irritadas. Um artefato precioso foi roubado do Monte Olimpo e Percy é o principal suspeito. Para restaurar a paz, ele e seus amigos – jovens heróis modernos – terão de fazer mais do que capturar o verdadeiro ladrão: precisam elucidar uma traição mais ameaçadora que fúria dos deuses.


***



Quando eu começo a ler um livro, principalmente uma sequência, costumo criar muitas expectativas a respeito da história. Com Percy Jackson não foi diferente. Confesso que demorei a começar a leitura dos livros porque, inicialmente, não senti muito interesse por eles, mas, bastou ler o primeiro, para eu perceber que se tratava de uma ótima história, com personagens bem descritos e uma trama de tirar o fôlego.

Rick Riordan, autor do livro, disse em uma entrevista que escreveu esta história depois de contá-la a seu filho durante várias noites antes de dormir e que muitas das características das personagens foram construídas para mostrar ao menino que, apesar das dificuldades, todos podemos vencer obstáculos e superarmos os nossos medos.

O filho do autor tem dislexia, problema também enfrentado por Percy Jackson e por seus amigos semideuses, que leem grego muito bem, mas apresentam sérios problemas quando o assunto é a própria língua.

Além da dislexia, Percy Jackson tem déficit de atenção e passou por muitas escolas na tentativa, quase desesperada, de se adaptar e este foi o primeiro ponto do livro que me fez parar para pensar. Quantas vezes o ser humano se anula na tentativa de ser o que a sociedade deseja dele ou ser o que a família quer que ele seja? A vida seria mais simples se a aceitação do outro como ele é, sem expectativas, fosse algo nato da sociedade, mas, infelizmente não é.

Em O Ladrão de Raios, Percy Jackson inicia sua intensa busca por respostas a respeito de sua vida e sobre o novo mundo que lhe foi apresentado. Com apenas 12 anos, ele descobre que o universo mitológico que aprendeu nos livros de história é bem real e, que se não aprender a lidar com ele, terá uma vida bem curta.

Para isso, ele precisa de treinamento e não existe melhor lugar do que o Acampamento Meio-Sangue. Percy chega ao acampamento confuso, abalado. Lá ele conhece outros adolescentes que são como ele, filhos de deuses com mortais, alguns, dispostos a morrer pelo Olimpo, outros, irritados com a condição de não conhecerem ou saberem quem realmente são os seus pais. Este é o caso de Luke, filho que Hermes jamais reconheceu. Embora o semideus aparenta ser alguém confiável e corajoso, no decorrer da história, aprendemos com Percy que, muitas vezes, as aparências podem enganar.

Além de descobrir que é um semideus e que existem monstros mitológicos dispostos a lhe matar na primeira oportunidade, Percy descobre também que o seu grande amigo, Groover, na verdade é um sátiro e que o seu professor de latim, Sr. Brunner, um imponente centauro, Quíron.

Para chegar ao acampamento, Percy enfrenta um Minotauro que está disposto a exterminá-lo. Ele consegue vencer a criatura, mas, vê sua mãe ser capturada e levada para as profundezas do Tártaro. Assim, começa a trajetória. Para resgatá-la, ele parte em uma aventura, que além de revelar segredos sobre a sua origem, lhe proporcionará novos conhecimentos sobre a sua vida de semideus.

Em sua rápida estada na Colina Meio-Sangue, ele descobre ser filho de Poseidon e que também está sendo acusado de ter roubado o raio de Zeus. Sem ter muita consciência do que enfrentará, Percy, em companhia de seu amigo protetor, Groover e de Ananbeth, uma jovem com imensa vontade de provar que tem capacidade para sobreviver fora dos limites do acampamento, partem rumo ao desconhecido e perigoso mundo mortal, repleto de armadilhas e monstros que só deuses e semideuses conseguem ver. Os seres humanos nãos os enxergam em sua forma real, estão ocupados demais com a própria vida, incapazes de perceber o estranho mundo que os rodeia.


“É gozado como os seres humanos são capazes de enrolar a sua mente em volta das coisas e encaixá-las na sua versão da realidade. Quíron me contara isso muito tempo atrás. Como de costume, eu só dei bola para sua sabedoria muito tempo depois.” Percy Jackson e o Ladrão de Raios (p. 344)


O tempo é escasso e Percy precisa provar a sua inocência descobrindo quem é o verdadeiro Ladrão de Raios. Entre erros e acertos, ele percebe que um grande mal se aproxima e Luke, seu amigo de acampamento, envolveu-se com uma força misteriosa e avassaladora, um caminho sem volta que pode condenar, não só a vida do filho ignorado de Hermes, mas também o Olimpo.

A escrita do livro é fantástica, tem ritmo e humor na medida certa. Trata-se de uma ótima história que te conduz pelos caminhos do medo, insegurança e angústia enfrentados pelo personagem central da trama.